O que fazer para trabalhar na área de gerontologia?




Dúvidas sobre a formação, mercado de trabalho, remuneração, agora é o momento de esclarecê-las.
Se você já pensou em atuar na área de Gerontologia – ciência que estuda o envelhecimento humano em todas as suas vertentes e especificidades – mas tem algumas dúvidas sobre a formação, mercado de trabalho, remuneração, agora é o momento de esclarecê-las. Seguem algumas informações úteis sobre o assunto.
Onde e o que estudar?
O local onde estudar vai depender do que a pessoa pretende cursar, se é uma graduação ou pós-graduação. Vamos às explicações de cada uma delas:
1) Graduação em Gerontologia: a graduação em Gerontologia é um curso novo. O primeiro curso do Brasil se desenvolveu na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH, conhecido como USP-Leste), que já formou uma turma de bacharéis em Gerontologia. O segundo curso se desenvolve na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).
A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo também está tramitando a implantação de uma Graduação em Gerontologia. No programa consta que a questão da longevidade tem-se imposto na pós-modernidade não só porque se vive mais, como também se vive mais tempo na velhice.
Importante dizer que a pessoa que faz a graduação em gerontologia sai com o título de gerontólogo.
Já no programa da UFSCar, os profissionais saem com uma formação generalista na área de Gerontologia, humanista, crítico e reflexivo. O profissional é capacitado para atuar na gestão da velhice saudável e da velhice fragilizada, pautado em princípios éticos e informações científicas em relação à saúde do idoso; é preparado para atuar em contextos multiprofissionais e multidisciplinares na perspectiva da gestão de diferentes questões que surgem individual e coletivamente na velhice; e é capaz de compreender, criar, gerir, desenvolver e avaliar formas de apoio ao idoso e seus cuidadores, familiares e profissionais.
Mercado de Trabalho
Esta área é muito promissora, os profissionais de gerontologia, além de atuarem em hospitais, ambulatórios, unidades básicas de saúde e escolas, podem trabalhar em programas/serviços de assistência domiciliar, instituições de média e longa permanência, hospitais, centros-dia e centros de convivência, bem como atuar na formação de uma rede formal de orientação, acompanhamento e apoio a cuidadores de idosos.
O papel do gerontólogo nestes serviços será desempenhar a função de gestor, já que na prática sentimos falta de uma pessoa que administre estes serviços, com um conhecimento sobre a realidade do envelhecimento, da velhice e do idoso. O que observamos são pessoas com muito boa vontade, gerindo estes serviços, mas sem a devida preparação e muitas vezes reproduzindo preconceitos.
Além da área da saúde especificamente, os gerontólogos poderão atuar na área cultural, turística e educacional.
2) Pós-Graduação em Gerontologia. Existem duas formas de pós-graduação:

a) Lato-sensu: é aquela que ao final do curso o aluno recebe a titulação de especialista. É voltada para a prática profissional e também possui conteúdos direcionados para a docência. Quem tem este tipo de especialização já pode ministrar aula no ensino superior, mas isto depende da faculdade, algumas ainda aceitam especialistas para dar aula, além dos mestres.
A especialização lato-sensu precisa ser reconhecida pelo MEC e ter no mínimo 360 h. Quanto à especialização na área do idoso/terceira idade, indico a especialização em gerontologia, ao invés da especialização em geriatria, pois esta segunda é apenas voltada aos aspectos biológicos, já que geriatria é a área que estuda as doenças e aspectos físicos do envelhecimento. Já a gerontologia é a área que estuda o idoso em suas várias dimensões (biológica, psicológica, social, filosófica, cultural, enfim, é uma área mais abrangente e se o profissional já é da área da saúde, a gerontologia sem dúvida ajuda a ampliar a visão interdisciplinar.
Quanto aos locais, existem vários, mas o ideal é que se faça sempre em uma instituição conceituada, pois com isto a pessoa tem a possibilidade de ter aula com ótimos professores, renomados e bem qualificados em suas áreas, fazer novos contatos, o que pode abrir muitas oportunidades futuras.
b) Pós-graduação stricto sensu: esta pós-graduação tem duas modalidades, o mestrado com duração de aproximadamente dois anos e o doutorado, com quatro anos.
Quanto ao mestrado, existem atualmente cinco mestrados no país, a saber:
- PUC-SP, com enfoque sociocultural (este é o que faço);
– UNICAMP (Campinas/SP), com enfoque na área biomédica;
– PUC-Rio Grande do Sul, também com enfoque biomédico;
- UcB (Universidade Católica de Brasília), com enfoque na qualidade de vida;
- UPF (Universidade de Passo Fundo), recém implantado, com enfoque nos aspectos epidemiológicos e biopsicossociais.
Universidades com cursos na área de envelhecimento
Várias universidades oferecem hoje cursos relacionados com o envelhecimento, entre elas destacamos algumas:
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP);
– Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
– Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul;
– Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ);
– Universidade Federal da Bahia (UFBA);
– Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);
– Universidade Federal Fluminense (UFF);
– Universidade de São Paulo (USP);
– Universidade Federal do Ceará;
– Universidade Católica de Brasília (UcB);
Remuneração
A remuneração vai depender de vários fatores, se for na área da docência, cada instituição tem o seu valor da hora/aula; se for em clínica pode ser que ela atenda pacientes de convênio ou apenas particular; caso seja um atendimento em domicílio o valor também será outro. Portanto, cada local apresenta um valor. O interessante é o profissional verificar o seu honorário de acordo com o seu conselho regional. No caso da fisioterapia é o CREFITO (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional).
Como está o mercado de trabalho?
O mercado de trabalho está em ampla expansão, por dois motivos: o número de idosos está aumentando, a perspectiva para 2050 é que para cada 3 pessoas da população, 1 seja idosa, o que vai equivaler ao dobro de idosos que temos hoje; e o outro fato é a falta de profissionais qualificados para atender esta população. Esta escassez aumenta a demanda por profissionais mais qualificados.
O que eu considero fundamental nesta área é a pessoa gostar de idosos, ter paciência, sensibilidade, delicadeza para lidar com eles…, pois é a faixa etária com a maior diversidade. Ou seja, dentre a população idosa podemos encontrar idosos de todos os tipos, e cada um com suas particularidades do processo do envelhecimento. O profissional, sabendo disto, certamente saberá melhor tratá-los, sem preconceitos e estigmas, mas com o cuidado que se deve ter com o outro.
Fonte:http://www.cuidardeidosos.com.br/

2 comentários:

Beth disse...

Texto esclarecedor e numa linguagem acessível. Parabéns1

Cleide Santos disse...

Esse material é muito bom.
Gostaria muito de cursar a pós em gerontologia.

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